É pilar da Psicologia Dinâmica o princípio de que o caráter da pessoa humana ou se forma saudavelmente pela aquisição das virtudes, ou se deforma dramaticamente pelos vícios, aqui entendidos como hábitos contrários à natureza das potências radicadas na alma. Neste contexto, a clínica buscará apresentar ao paciente o rico universo psíquico implicado na antropologia filosófica segundo a qual manter-se psiquicamente equilibrado é, de uma maneira ou de outra, preservar a inteligência dos equívocos mais dramáticos no tocante aos fins a que o homem tende.

Fins que já na antiguidade grega eram identificados com aquilo a que o Ocidente veio a chamar de “felicidade”, posse habitual dos bens apetecidos de maneira reta pela vontade iluminada pela inteligência.

 

Paradigmas Clínicos

1 – Apresentar ao paciente o conceito de amor entendido como ápice da liberdade: escolha consciente e objetiva de bens reais, retamente ordenados pela inteligência.¹

2 – Induzir o paciente à aquisição da virtude² da prudência: a reta razão no agir (recta ratio agibilium).

3 – Induzir o paciente à virtude da temperança.

4 – Apresentar ao paciente a importância da justiça.

5 – induzir o paciente à virtude da fortaleza.

 

Fontes:

“De Natura Boni”, Santo Agostinho.

“Summa Theologiae”, I, q. 4 e 5., Santo Tomás de Aquino.

“La Formación del Carácter por las Virtudes”, Coord. Martín Echavarría, Ediciones Scire (Barcelona, ESP)

 

 

 

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¹ Um bem é retamente ordenado quando a inteligência vislumbra o contexto em que se dá e consegue hierarquizá-lo relativamente a outros bens. Neste ponto, entra o pressuposto da gnosiologia tomista de que é próprio da inteligência ordenar. Noutras palavras: a inteligência é o que faculta aos homens ordenar as coisas aos seus fins devidos.

² Virtude, no sentido da antropologia da escola tomista, é definida como hábito operativo bom, ou seja: é o que auxilia as potências da inteligência e da vontade a alcançar os seus objetos próprios, a verdade (entendida como adequação entre a inteligência e as coisas) e o bem (entendido como forma inteligível designativa de um dos aspectos transcendentais do ser. Em síntese: todas as coisas, pelo simples fato de ser, possuem um quantum de bondade ontológica).